*Estados Unidos, 13/09/2002 - Icebergs flutuam no mar Ártico, perto da costa da cidade de Barrow, no Alasca.*
Sexta, 13 de setembro de 2002, 15h41
Aquecimento global obriga aldeia do Alasca a se mudar
O aquecimento global vem tomando as manchetes do mundo já há algum tempo. O tom é sempre de ameaça, sobre o que pode acontecer quando as calotas polares finalmente derreterem e o nível das águas subir a ponto de destruir as comunidades costeiras. Mas, no Alasca, esta hipótese já é um problema real. A pequena cidade de Shishmaref decidiu se mudar para um lugar mais seguro, depois que o mar avançou a tal ponto que dezenas de casas foram engolidas pelas águas nos últimos anos.
Para conter o avanço mar o povo rústico do local improvisou um dick de sacos de areia, pneus e veículos velhos. Mas a proteção foi destruída na mais recente tormenta. Quatro casas foram engolidas pelas águas quando os moradores estavam refugiados na igreja luterana. As autoridades dizem que com outro par de tormentas intensas, toda a vila poderia ficar inundada sob até três metros de água. Por isto uma votação foi proposta, e por 161 votos contra 20 ficou decidido que os 600 moradores iriam se mudar para um lugar mais seco.
Mas a mudança custaria pelo menos US$ 100 milhões, diz o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos. É uma soma astronômica para este povo onde uma lâmpada elétrica custa mais de US$ 10 (mais ou menos R$ 30). Os moradores acreditam que o governo pagará o traslado, ainda que as autoridades estatais e federais digam que não existe um fundo para este fim.
Além disso, a inundação do local causaria uma grande perda arqueológica e cultural. Os moradores de Shishmaref moram na mesma região há dezenas de gerações. Das janelas da aldeia é possível ver os antigos refúgios escavados na superfície gelada por antepassados dos atuais esquimós, na mesma época em que os faraós levantavam pirâmides no deserto egípcio.
Há milhares de anos, hordas de nômades famintos perseguiam caribús aqui, ao largo de uma faixa de terra que unia o Alasca com a Sibéria, a 160 quilômetros de distância. Muitos cientistas acreditam que estes nômades foram os primeiros habitantes do continente americano. Agora seus descendentes estão por transformar-se em vítimas do aquecimento mundial: sua aldeia está a ponto de ser tragada pelo mar. "Não temos mais espaço", disse Tony Weyiouanna, de 43 anos. "Tenho que pensar em meus netos. Temos que nos mudar".
O aquecimento global
A água que se derrete no Alasca representa a metade do aumento mundial do nível do mar, que aumentou 20 centímetros nos últimos 100 anos. O volume de gelo no mar diminuiu cerca de 15% e em algumas áreas sua espessura diminuiu de 3 metros para 1,85 metro. Com o gelo vão desaparecendo também baleias, morsas, focas, aves aquáticas e inclusive ursos polares.
E o problema não é exclusivo desta região. Em junho, o governo de George W. Bush enviou um informe às Nações Unidas em que admitiu pela primeira vez que a mudança de clima é real e inevitável. O governo aconselha que o mundo deve adaptar-se.
Entretanto o documento não determina se o aumento de temperatura se deve as emissões de gases tóxicos por veículos, o que afetaria o "efeito estufa", ou a variações naturais na complexa relação entre os oceanos, a atmosfera e o sol. Ou mesmo a uma combinação de ambos os fatores.
AP
*Estados Unidos, 13/09/2002 - O sol brilha no ponto Barrow no Alasca. A mudança no clima perturbou o calendário de congelamento da água na região e o habitat*
... E Gaia chora.





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